“Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer”. (Clemente, vocal da banda de Punk Rock Inocentes, em manifesto punk da década de 80).
A pergunta que fica: e hoje, onde estão os revolucionários da música, ou apenas do rock? Espero muito que eles não estejam dentro de calças coloridas.
A academia divulgou a lista dos indicados a melhor filme estrangeiro, o Brasil ficou de fora mais uma vez.
Dessa vez não foi culpa do nosso cinema, que eu particularmente acho que evoluiu maravilhosamente, mas que ainda tem um longo caminho.
A culpa foi de politicagem pura, o filme escolhido pelo Brasil para concorrer a indicação foi "Lula - O filho do Brasil", de Fábio Barreto, um filme mediano, bobo e ...enfim, não que o Oscar represente grande coisa, mas uma premiação como esta atrai os olhares e investimentos para o mercado do cinema nacional.
Em 2010 o cinema nacional produziu no mínimo meia dúzia de filmes melhores, no entanto, acho que independente do filme escolhido o Brasil não conseguiria o Prêmio.
Como disse, o cinema nacional evoluiu, mas diante do cenário mundial nosso cinema engatinha, conseguência de declínios culturais provocados por contextos históricos que não cabem aqui.
Segue a Lista dos indicados:
Argélia, "Hors la loi", de Rachid Bouchareb;
Canadá, "Incendies", de Denis Villeneuve;
Dinamarca, "Em um mundo melhor", de Susanne Bier;
Grécia, "Dogtooth", de Yorgos Lanthimos;
Japão, "Confessions", de Tetsuya Nakashima;
México, "Biutiful", de Alejandro González Iñárritu;
África do Sul, "Life, above all" de Oliver Schmitz;
Espanha, "Tambien la lluvia", de Iciar Bollain;
Suécia, "Simple Simon", de Andreas Ohman.
Não assisti a maioria deles, mas ainda há tempo. Eu até agora aposto em "Em um mundo melhor", e "Biutiful"".
"Se você conseguir sentir que vale a pena continuar humano, mesmo que isso não tenha a menor utilidade, você venceu" (George Orwell - "1984" - 1949)
“O que veio primeiro? A música ou a miséria? As pessoas se preocupam com crianças brincando com armas, vendo vídeos violentos, como se a cultura da violência fosse consumí-las. Mas ninguém se preocupa se escutam milhares de canções sobre sofrimentos, rejeição, dor, miséria e perda. Eu ouvia música pop porque era infeliz ? Ou era infeliz porque ouvia música pop ?”
( Nick Hornby - Alta fidelidade, 1998)
"Eu ouvia música pop porque era infeliz ? Ou era infeliz porque ouvia música pop ?” Isso, definitivamente, explica muita coisa do cenário musical do país.
"Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros; mas sempre, e sob quaisquer circunstâncias, existimos a sós. Os mártires penetram na arena de mãos dadas, mas são crucificados sozinhos."