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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Uma História: Minha e Dela.

Início

 

            A vida sempre nos surpreende, de tempos em tempos, ao virar uma esquina, ou ao subir uma escada. E entre um gole e um trago algo acontece.

O olho que você sempre procurou te encontra, no meio de uma piscada e um suspiro. E nos segundos contados de um trago, um sorriso te assola, sobe pelas suas costas, como um arrepio silencioso e lento. As mãos suadas se escondem em bolsos pequenos. Os pensamentos se encontram na pele e sentem inveja do tecido. A vontade se manifesta  e num fechar de olhos se torna alcançável, mas só em pensamento. A boca saliva, o olho disfarça.

As palavras saem por entre risadas e toques velados. O toque, que não acontece, o cigarro não compartilhado, e o cabelo que acompanha o movimento do corpo. O toque final. Por diferentes ângulos, com um olhar de lado, você se apaixona, e sente que algo une um ao outro, sem entender, sem querer, sem saber. O ciúme repentino se manifesta, inexplicável, mas não é declarado.  Toma conta do corpo dolorido, cansado e resistente.

E no andar de despedida, degrau por degrau...uma mão no rosto, um beijo, um canto, um gosto.

E nos movimentos lentos de uma descida, em câmera lenta me despeço, com o movimento do cabelo e o salto vermelho, as últimas horas voltam, em um turbilhão que faz o corpo tremer, que para de repente, nos lábios com um gosto doce, e com algo dentro do peito.

Eu sabia quem.

Meio




E foi assim que você entrou  na minha vida, talvez com um pouco mais de palavras e gestos. Abriu todas as portas com seu sorriso (e já no toque da brasa na pele eu te chamei, em segredo, de linda).

Desde aquele dia eu desejei seu gosto, mas me satisfazia pensando em sua companhia. Entre músicas, poemas e conversas virtuais que eram reais, eu me apaixonei. E te desejei mais. Durante três meses senti sua ausência, em tudo o que me cercava. Para em um sábado, descobrir o verdadeiro gosto, não de um canto, mas de um todo.  O gosto da felicidade à muito esquecido. Encontrei ali, o abraço que sempre procurei.

Um dia que teve alimento para a alma e para o corpo, poemas que foram cravados na pele, prazer para a vida e corpos cansados, que amanheceram colados, de se amarem a noite toda.A manhã teve cheiro de café fresco, que não se sabe se saía da xícara ou dos corpos, um silêncio carinhoso, que foi sentido e tocado.

Eu sabia quando.

Hoje



Passaram-se alguns meses, as músicas se multiplicaram, os poemas se manifestaram e o café se tornou uma estrada,  na qual sentamos, conversamos e rimos.  Nesse tempo, você me deixou entrar na sua vida, e do seu jeito você me completou, fez as dores passarem, a tristeza morrer e me mostrou caminhos, sentimentos, sonhos, cores e olhares.

Com seu abraço descobri tudo o que eu preciso, e eu me vi amando a pessoa que sempre amei, de quem não conhecia o rosto, mas tinha o nome dentro de mim. Sem entender muita coisa isso cresceu, se transformou em algo maior do que eu, e em uma chave de madrugada, eu tentei demonstrar o que eu sinto.

As palavras começaram a faltar, por não serem tudo o que eu precisava.  Não existe no mundo palavras suficientes para escrever o meu amor por você, mas eu sei que ele se escreve com dois B´s. Te ofereço estrelas como forma de compensar minha ausência, e tento de todas as maneiras que elas sempre brilhem para você.

Muitas vezes, escritores perdem o foco com palavras bonitas, mas não hoje. Hoje essa história termina seca e direta.

Nunca pensei que sentiria por alguém o que eu sinto por você. Sei que parecem falas de um apaixonado, e é verdade, mas são verdadeiras. Minha vida sem você não tem mais sentido, e isso é simplesmente pelo fato de que com você, é tudo mais gostoso.  Eu sinto sua falta, e quero compartilhar cada momento com você.

Sinto muitas dores no meu peito, muitas são de saudades, outras de impotência por  não conseguir te ajudar, e algumas por medo. Medo é uma palavra forte, mas ele existe, um poeta disse que quem ama sente medo. Eu sinto e amo.

O medo é de te perder, não que eu não confie em você, ou que duvide do que você sente por mim. Eu sinto, eu sei, eu confio...mas hoje na minha vida você é a coisa mais importante, e todos os meus planos (que eu nunca tinha feito ) são para ficar com você.

Você ganhou essa importância, e nem foi devagar, ou aos poucos, foi de uma vez, forte e suave, como você. Você ocupa um lugar que nunca teve dono, essa é a diferença. É a primeira vez que ele é ocupado, é seu.

Eu me entreguei com tudo o que eu tenho pra você, pelo simples fato de que vale à pena. Eu vejo em você mais do que uma mulher, vejo uma pessoa linda, e quando eu penso em você, não vejo o menor problema em passar a vida do seu lado.

Sei que algumas coisas são mais bonitas na fantasia, mas a realidade é mais gostosa. O que eu sinto por você é amor, não sei explicar.  Quero ficar do seu lado, de mãos dadas e caminhar por onde a vida nos levar.
A única coisa que você precisa saber é que hoje, em mim, só existe você. E cada dia que passa esse sentimento cresce. Digo que sou só seu, porque eu sou. Você me ganhou e antes de tudo, eu escolhi ser só seu.

Sou e quero ser:  só seu!

Quero, de verdade, me casar com você.  Meus motivos: você me completa, amo cada detalhe seu, minha vida sem você é sem graça, do seu lado sou feliz, você me faz rir, me faz bem, você é uma mulher suave, forte e cheia de vida, que me inspira, me dá tesão de viver e me faz ser melhor. Acho você a mulher mais linda do mundo, inteligente e acima de tudo, eu quero te amar cada vez mais.

Não vou ficar dando motivos, alguns são secretos, e outros escrevo no seu corpo.

O que você precisa saber:

Sei que você não é perfeita, mas eu também não.  Sei de todos os problemas que vamos enfrentar, sei de todos os dias chatos e da rotina, sei das brigas...sei de tudo, das partes boas e ruins.

E sabe de uma coisa? Foda-se, eu quero é você do meu lado. E se algum dia, por acaso, nós cairmos, eu vou ser o primeiro a levantar e te pedir em sussurro: enfrenta comigo?

Eu te amo (é só isso e nada mais).

Eu sei quem, onde e quando.




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Momento Reflexivo - George Orwell








"Se você conseguir sentir que vale a pena continuar humano, mesmo que isso não tenha a menor utilidade, você venceu" (George Orwell - "1984" - 1949)






sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Realidade Fictícia do Cotidiano

O Pedinte

Ônibus lotado no calor da manhã, o suor pinga e são só 7 horas. A calmaria que foge a regra acaba no próximo ponto.

Estão todos apáticos, um homem começa o discurso:

- Gente, queria, em nome de Deus, falar um pouco com vocês. Eu estou pedindo uma ajuda, eu não estou armado, nem drogado, nem aleijado. Tô com minha mulher aqui, sentada na frente, e a gente tá com fome.

Ninguém se move, a apatia realmente foge a regra.

Enquanto transpiro, algo avança do fundo do ônibus até alcançar o ouvido do homem:

 - Então vai procurar um emprego, fazer bico, porra! Se não tá drogado, aleijado, nem armado...vai a merda!

O homem desce no próximo ponto, lembrou que pegou o ônibus errado.

A esposa não desce.


Texto registrado, qualquer reprodução sem autorização será considerada crime.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Política, Futebol e Religião

Nosso novo deputado.
Um breve comentário a respeito das eleições, foi a eleição com maior número de abstinência de votos da história, no qual um candidato despreparado conseguiu votação recorde.

Voto de protesto é uma coisa, isso foi sim, uma palhaçada.

Está na hora de revermos nossos conceitos, enquanto brasileiros, e começarmos a discutir política, religião e futebol.

"Política não se discute", já é algo ultrapassado, que serve para  manter a tradição, a ideia de que se vota para vencer, e que, se seu candidato não ganhou, você perdeu o voto.

O Brasil mostra uma evolução mínima da consciência política. Está no hora da política invadir bares, casas, mesas de almoço, escritórios  e ruas.

Discutir política não é tentar convencer o outro a votar em determinado candidato, é argumentar, pesar e refletir por meio do  conhecimento gerado na discussão.

Política deveria fazer parte do cotidiano. Assim como os outros assuntos polêmicos, não discutir significa continuar na ignorância, mantendo o estado atual de hipocrisia e falência da democracia. Se você acha que está ruim, ou bom, discuta.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Domingo

Hoje eu resolvi: não.
Entre o que fazer e o amanhã. Pode vir, pode ser, com tudo o que tenha.
Um dia perfeito e eu sou rei.
Hoje não, está bom para mim, meus olhos mágicos e as janelas, no caminho contrário de tudo.
De novo, no início.
Nunca é tarde, e hoje não, com tudo que tenha.
Sempre vem, sozinho de novo e de novo.
Todo mundo diz, outro dia.
É perfeito, todo mundo diz.
O que não se pode dizer.
O fazer e o amanhã.
Domingos veem e vão.

Autor : Camilo Alves do Nascimento

Texto registrado, qualquer reprodução sem autorização será considerada crime.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Realidade que deu certo

Quarta-feira (08/09/2010) de manhã, esperando o ônibus observo a plataforma da frente, nada de mais. Algumas pessoas estão sentadas, são poucas, umas 5 estão em pé. De repente, um cara se levanta, ele corre, se contorce, baba, se transforma. Não é ameaçador, se percebe que não há risco de ameaça. Imediatamente uma mulher levanta, retira da bolsa uma coleira, consegue passar ela pelo pescoço do rapaz. Esse  tenta resistir por alguns segundos, mas desiste, ele foi domesticado. A moça puxa ele pela coleira e o faz sentar de novo, fala algo em seu ouvido. O rapaz, mais calmo, se vê liberto de novo. Ninguém nota, só eu. Só eu? Meu ônibus chega. Essa cena verídica me lembrou um texto que fiz há alguns anos, pra uma amiga, atriz, apresentar no teatro. É um monólogo, o coloco aqui em homenagem aquele cara domesticado, esperando o ônibus, que pra ele talvez nunca chegue, e para todos os psicológos que me cercam.
Segue o texto:

REFLEXOS

Loucura. A muito tempo ando com essa palavra na minha cabeça. Na verdade, tudo o que ela implica. Fico imaginando dentro de mim, tomando conta de cada pedaço meu, comandando minhas palavras e meus atos. E estou cada vez mais à vontade com esse pensamento.

Talvez por isso eu tenha tomado essa decisão, e por outros motivos os quais eu nem quero saber.

Mas enfim... decidi ser louca. Vou ser louca, e estou ansiosa por isso.Há na palavra “loucura” algo de sedutor, de mágico, algo que me atraí, me puxa e morde sem se preocupar com a dor.

Tantos privilégios... não teria de me preocupar com responsabilidades. Sou louca!, gritaria para o mundo, em uma explosão de êxtase, e quando minhas palavras alcançassem ouvidos atentos, minhas lágrimas escorreriam, e meu coração perderia seu peso, meu corpo seria uma pluma e todos meus movimentos seriam de um ballet clássico, que há muito fora esquecido. Algo simples por si só, que faria todos os amantes apaixonados ficarem estáticos, e com frio na espinha de tamanha beleza. Sem maiores explicações.

Os olhares alheios se direcionariam a mim com piedade e talvez com medo, mas no fundo de cada um, de cada chama que se desce a cortesia de me procurar, sentiria, no mínimo, certa reciprocidade. Um carinho escondido. Um frio na barriga gelado e ao mesmo tempo familiar, um doce prazer sútil emaranhado na própria vergonha de algo que nunca foi alcançado. Pessoas normais se escondem e escondem coisas as quais, talvez, nunca mais irão achar.

Eu não. Eu me libertaria de todos os meus esconderijos, e meu peito seria aberto como o botão de uma rosa que acabou de desabrochar. Ele morreria aberto, mas nunca voltaria a se fechar.

Falaria e agiria como eu achasse que fosse certo, me despiria e me arebateria em romances puramente monossíbálicos. Consumiria pessoas e paixões na mesma proporção que me deixaria ser consumida, minha carne sentiria o que minha alma nunca alcançou. Me vestiria como quisesse, pelo simples prazer de ser louca. Usaria calças de palhaço, pés-de-pato, colocaria um chapéu de bombeiro e correria para a vida. E estaria sempre linda, maravilhosa e perfeita! Chegaria no trabalho e pediria demissão, e em resposta ao porquê de tal ato, diria com um sorriso: sou louca!

Falaria alto e gritaria palavrões, na hora e lugar que surgissem em minha cabeça. E minhas palavras soariam como sinos em um domingo de manhã. Haveria apenas um problema: manicômio. Palavra forte, no entanto eu continuaria a ser uma pessoa íntegra. Louca sim, por opção!

Talvez até encontrasse alguns amigos, amigos...eu tive um amigo, mas ele se foi, assim, sem pausa pra um café...um amigo, eu tive um, mas ele foi embora, ou eu que deixei ele no bolso de alguma calça velha, enfim...Ele me fazia rir.

“Louca”, qualidade libertária, algo como um perdão intrínseco, que te deixa livre de todas as coisas. Um carta de alforria da vida. Qualidade que talvez só se assemelhe a de “poeta”. Loucura: a vida da forma pura, sem razão, sem reticências e pontos finais, meros pontos de exclamação, assim como meus beijos e abraços serão. Aprenderia a viver sem espelhos, afinal nunca gostei deles, espelhos. Não gosto deles e pronto!

Agora eu já estou louca, ela já se encontra em mim, toma meu cérebro. Desce por minhas veias até encontrar meus dedos. Uma sensação suave e prazerosa, vitalizante, uma libertação de mim mesma. um gozo sublime, pleno, quase religioso. Me arrepia e deixa meu coração limpo.

Coração... agora ele já é sem dor, sem aperto, sem marcas e sem contusões.

Sinto vontade de correr, me jogar no asfalto, gritar, me levantar, pedir um café e acender um cigarro. Algumas pessoas me procurariam, e eu, olhando para o chão, com o cigarro entre os dedos, diria (com minha voz suave e calma): não gostamos de conversar, não converse comigo... por uma semana.

Não me relacionaria mais, e mesmo se acontecesse, não faria diferença. Sou louca!

Eu seria uma dessas “pessoas platônicas”. Essas que entram na sua vida, e que, no entanto, você não sabe se entrou na delas. Como meu amigo, qual era o nome?...Apenas pode amá-las, sem esperar, ou ter algo em troca. Eu teria, tenho uma vantagem: minha sanidade! Ela ainda está dentro de mim e quando for preciso é só traze-la de volta.

Minha loucura é fingida, contudo perderia amores, pessoas. Qual o nome?.. Meu vazio só seria preenchido pela doce loucura solitária. Perderia em cada passo, em cada respiração, eu mesma. Minha realidade seria de devaneios guardados. A cada passo dado na direção errada eu deixaria de escutá-la. Pois a teria deixado em algum lugar. Meus sonhos e desejos se evaporariam de mim e ao mesmo tempo faria forças sobre humanas para lembrar o doce sabor de um chocolate em uma manhã fria de inverno, de um carinho despretensioso que aos pouco ganha seu lugar.

Haverá um tempo onde eu já não lembrarei, porque não escutava, não tocava mais. E meu coração antes cadenciado, não passará de um ruído desafinado e rouco. Não seria o que foi. Os lugares me moldariam, eu seria um mármore virgem sendo esculpido, e as lascas que de mim saiam seriam as mais valiosas...

Outras tentariam, mas nunca conseguiriam seu lugar. Não essa sintonia, esse tom. E quando percebesse, seria apenas uma lembrança, provavelmente a próxima a ser esquecida, uma fotografia fora de foco, algo belo, porém sem definição. E num momento alguém gritaria: fingida! Meu coração voltaria a ficar pesado, e com os olhos cheios de lágrimas, semiabertos, desejaria escuta-la novamente. E em então num sopro de razão descobriria que o problema das coisas que se acha, é que, o que se acha, não é o que realmente se é.

E só então perceberia que nunca havia parado de tocar, apenas não encontrava quem a escutasse. Suas notas precisas e seu refrão abafado. Lembraria de desejos esquecidos e do doce sabor de algo ainda desconhecido. Do meu amigo...

Acabaria entendendo de que nada me adianta a loucura insaciável de um amor improvável.

Pois bem, as peças estão nos seus lugares, a vida será o rei branco, eu a rainha preta...e meu amigo, bom como eu disse:

EU ODEIO ESPELHOS!

Autor : Camilo Alves do Nascimento
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