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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Fun Home - Uma Tragicomédia em Família


Fun Home é a obra primorosa de Alison Bechdel, cartunista estadounidense, nascida em 1960 e autora da tira  "Dykes to watch out for" (algo como, "Sapatas para ficar de olho").

Lésbica assumida desde seus 20 anos, ganhou destaque quando suas tiras começaram a ser creditadas em várias revistas gays independentes.

Em Fun Home( brincadeira em inglês com a palavra Funeral), Bechdel conta sua vida, desde sua infância em uma casa funerária, passando pela descoberta de sua sexualidade, até o suposto suicídio de seu pai.

Durante esse percurso, ainda descobrimos as aventuras sexuais de seu pai, assim como a preocupação dele com a formação educacional dela. E a vida nada incomum em uma cidade pequena do interior.

Pode parecer chato, mas não é. Fun Home está cheio de referências literárias e é extramente delicado.

Bechdel ao contar a história de sua vida  produziu uma obra literária que mescla vários elementos da poesia, literatura, quadrinhos e biografia.

Fun Home deve ser encarado como uma obra literária, e a prova disso é que em 2006 foi eleito o melhor livro do ano pela revista "Time" e, em 2007, ganhou o Eisner Award (Oscar dos quadrinhos).

É uma obra sensível, de extremo valor estético e, acima de tudo, humana. Para os que gostam de literatura, quadrinhos e poesia é uma leitura obrigatória.

No Brasil saiu pela editora Conrad.

Site oficial de Alison, com as tiras, aqui.






segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Retalhos - O Verdadeiro Romance Gráfico


Retalhos é a obra prima de Craig Thompson, que foi publicada em 2003. A obra é uma autobiografia, com enredo e arte assinados pelo mesmo.

Tudo começa na sua infância passada em uma típica cidade do interior, no estado de Wisconsin, no centro dos Estados Unidos.

Criado por uma família extremamente religiosa e conservadora, sua infância foi marcada por pressões de todos os lados.

Na escola era excluído e humilhado, em casa sofria nas mãos de um pai que lhe agredia e abusava moralmente dele e de seu irmão mais novo, ainda há o abuso sexual, sofrido por ambos, provocados por um adolescente que cuidava deles. Os dois dormiam na mesma cama, obrigados pelo pai.

Na igreja era educado para servir a Deus.

Todos esses elementos misturados culminam em uma devoção religiosa cada vez maior, movida pelo temor. É essa devoção que o faz rejeitar a igreja e questionar o seu futuro planejado por outros.

Guiado por uma vida de sonhos e exclusão de Craig, Retalhos pode ser considerado a HQ mais sincera de todas, isto está presente desde os traços até a forma como Thompson conta sua história, dialogando sempre com a prosa literária, ele mostra todos os sentimentos existentes dentro de um ser humano.

A dúvida de uma fé cega, o medo e repulsa aos pais, juntamente com o amor familiar, a vontade de sair de casa, o primeiro amor, as juras de alguém que sonha em ser feliz e o companheirismo de um irmão.

Retalhos é mais que quadrinho ou literatura, é vida, é real, é a história pura de um ser humano, que passa de uma criança medrosa a um adulto resolvido.

Os traços são limpos e a arte em preto e branco cria uma sensação de leveza, o todo te prende. Entre outros prêmios ganhou: três Harvey (melhor artista, melhor Graphic Novel e melhor cartunista), Dois Eisner (melhor Graphic Novel e melhor escritor/artista) e um prêmio da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos.

No Brasil saiu pela Companhia das Letras em 2009.

Mais sobre a arte e vida de Craig Thompson, aqui.




 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Black Hole

Black Hole, de Charles Burns, é uma graphic novel sobre adolescentes de Seattle em meados dos anos 70.

A história se desenvolve a partir do medo frente a uma nova doença infecciosa, que deforma suas vítimas e causa anomalias genéticas.

Tudo isso com um ingrediente a mais: a contaminação só acontece por meio de relações sexuais.

Os casos cada vez mais freqüentes e mais próximos dos protagonistas, faz com que as frustrações, sentimentos, sonhos e agonias sejam vividos de forma um pouco mais drástica por esses adolescentes.

A escola, a cidade, os amigos, todos são afetados por esse vírus desconhecido.

Todos os ingredientes para essa história estão presentes trazendo-a, apesar do seu caráter extraordinário, para a realidade.

A fuga pelas drogas, as noites com amigos regadas a cerveja e a busca por uma noite de sexo; tudo isso somado a tensão de uma doença misteriosa, uma incrível arte em preto e branco, com traços sóbrios, duros, abusando de sombras e luz faz com que Burns crie uma obra prima sobre à adolescência filha do rock n’roll, misturando elementos sombrios , de horror e insanidade.

Se tudo isso não interessar, vale a pena dar uma olhada pelos desenhos e pela arte coesa de Burns. A série é dividida em dois livros, é distribuída no Brasil pela editora Rocco, foi ganhadora do Eisner Awards de 2006 ( o Oscar dos Quadrinhos) de melhor álbum do ano e nada mais do que outros nove prêmios.

*Resenha originalmente publicada no zine Páginas Vazias.
 
Sobre Charles Burns, aqui.
 
 
 




domingo, 7 de novembro de 2010

Frankstein e Edgar Alan Poe - Quadrinho

O selo ARX, da editora Saraiva, traz ao Brasil adaptações de clássicos da literatura para quadrinhos. Os autores escolhidos foram Edgar Alan Poe e Mary Shelley.

São dois volumes, Frankenstein e Histórias de Poe, de uma série de graphic novels lançadas originalmente pela editora espanhola Parramón,  a ideia é trazer os clássicos da literatura para uma nova linguagem, movimento que vem ganhando força mundialmente.

Tudo isso é feito mantendo-se a integridade dos textos, com uma tradução digna e muito boa.

As artes de ambos são coerentes com o estilo literário e realmente bonitas.

Em Frankstein temos o famoso personagem da literatura mundial em toda sua complexidade. Como apoio a toda essa atmosfera, temos um belissíma arte em preto e branco, que capta o clima da história.

Em História de Poe, temos a transcrição de três histórias: O Escaravelho de Ouro, O Método do Dr. Alcatrão e do Professor Pena, e A Queda da Casa de Usher. Todas remetendo ao extraordinário, tema recorrente da literatura de Poe.

Nesse volume temos uma arte igualmente bela, que novamente complementa a história, fazendo dessa adaptação uma das melhores que existem, conseguindo manter o clima sombrio tão caractérístico de Poe.

Se quiser saber mais sobre a editora Parramón, clique aqui.

Sobre o selo ARX, aqui.


Vale a pena, tanto para quem curte Graphic Novels quanto para fãs e apreciadores da literatura.




Página de Frankstein

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Lourenço Mutarelli


Lourenço Mutarelli
Lourenço Mutarelli é escritor, ator, cineasta e quadrinhista brasileiro.

Entre outras coisas é formado pela faculdade de Belas Artes, e já trabalhou nos estúdios Maurício de Souza.

Começou sua carreira tentando publicar algumas de suas histórias nos anos 80, mas estas foram recusadas por serem estranhas demais e terem um tempo narrativo pouco usual para a época.

Ganhou destaque por meio de zines de sua própria autoria, que tinham tiragens de 500 exemplares. Hoje já recebeu vários Prêmios e teve participações no cinema e teatro.

Seus personagens retratatam um universo urbano, de caos, tristeza e solidão. Desenhados em nanquim, eles ganham uma dimensão próxima do real, e conseguem transmitir a visão angustiada e louca do mundo de seu criador, desprovido de qualquer princípio ético e moral.

As histórias remetem a um clima de suspense policial, tendo com influências de fotografia o expressionismo alemão.

Elas nos prendem devido a seu tempo rápido e seu carácter espetacular, que nos coloca diante de situações cruciais do cotidiano.

Possui uma obra extensa, em que se destaqua o romance O Cheiro do Ralo, adaptado para o cinema (dirigido por Heitor Dhalia e estrelado por Selton Mello), e suas histórias em quadrinhos reconhecidas mundialmente, entre elas O Dobro de Cinco.

Seus traços são ao mesmo tempo limpos e agressivos, contribuindo para formar os dilemas de seus personagens e para a contrução do seu universo real espetacular.

Principais obras:

Romances: Miguel e os Demônios, O Cheiro do Ralo.
Teatro: O Teatro das Sombras.
Quadrinhos: A Caixa de Areia ou Eu Era Dois em Meu Quintal, Transubstanciação, Sequelas, A Confluência da Forquilha, O Dobro de Cinco.

Para saber mais acesse o site oficial, aqui.

Alguns exemplos de sua arte :











quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Local

Local: Ponto de Partida
"Todos têm um lugar que chamam de lar, tendo crescido lá ou não. E esse lugar pode muito bem acabar definindo uma boa parte do que você é ou vai se tornar"

É a partir dessa ideia que, Ryan Kelly (Arte), junto com Brian Wood( Roteiro), criaram essa Graphic novel. Na qual cada capítulo nos leva a uma diferente cidade dos Estados Unidos e Canadá.

Dividida em pequenas histórias, eles nos levam pra a vida de Megan McKeenan. Que é o elo de ligação entre as histórias.

Tudo começa quando ela tem 16 anos e precisa tomar uma decisão difícil, cansada de tudo, e de todos, ela entra em um trem e foge. 

A partir daí, cada história retratará um ano na vida de Megan, e uma cidade específica, onde ela acaba morando por um tempo .


Em algumas histórias ela é a protagonista, em outras ela é mera coadjuvante.  

Local: Fim da Jornada
Acompanhamos então, Megan em suas aventuras, romances e crises, desde sua adolescência até seu retorno pra casa, já adulta.

Escrita de forma brilhante, e usando de ilustrações geniais em preto e branco, Local consegue transmitir algo familiar a todos.

É uma série que fala de medos, escolhas e amadurecimento. A grande sacada é que Ryan e Brian, fazem isso, sem soar moralistas ou enfadonhos.

Com claras referências de filmes cults e um universo sóbrio e realista, eles conseguem retratar os relacionamentos, os dramas, as drogas, a amizade, as frustrações, a família e o medo do passado e do futuro.

O universo rock´n´n roll não poderia ficar de fora. Existindo um capítulo destinado a uma banda fictícia, que acaba sendo muito realista.

Outro ponto de destaque é que, no final de cada capítulo existem comentários dos criadores e, adivinhem?

Uma lista, de cada um, das músicas e bandas que eles escutaram durante a produção do capítulo, servindo de referência para uma trilha sonora. É um toque a mais, que faz essa graphic novel, ser uma das minhas favoritas.

No Brasil, as histórias saíram reunidas em dois livros, pela Devir ( aqui ).  

Saiba mais sobre Brian Wood aqui

Saiba mais sobre Ryan Kelly aqui, e este é seu e-mail : ryankellyfun@yahoo.com. (Ele responde, eu troco ideia com ele de vez em quando.) 

Blog do Ryan : Funrama.

Algumas ilustrações de Local:





Megan




quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quadrinhos Eróticos - Parte 4

Os três livros
Lost Girls é a obra de  Alan Moore e Melinda Gebbie. É  a arte máxima dos quadrinhos eróticos, Alice ( do País das maravilhas), Wendy (Peter Pan) e Dorothy ( Mágico de Oz) são as protagonistas dessa obra.

A história acontece em 1913, em um hotel, na Suíça, no qual elas se encontram para uma temporada de férias. Isso tudo em volta com a 1° Guerra Mundial que se aproxima.

Ao se encontrarem por acaso, as três se tornam amigas inseparáveis, e guiadas por Alice, já uma velha sexagenária, elas revelam suas aventuras sexuais, ao mesmo tempo que vivem outras no hotel.

A genialidade está em usar três ícones da literatura infantil e carregá-las para a idade adulta, fazendo do sexo o elemento que as tornam reais. A história e recheada de cenas de sexo entre as protagonistas, e delas com hóspedes e funcionários do hotel.

O desenrolar da história acontece por meio de depoimentos e  flashbacks da vida delas. O caráter psicológico também está lá, carregado em cada detalhe.

O enredo é genial, e trabalha a personalidade das personagens remontando desde suas infâncias:


Dorohy, Alice e Wendy.


 Wendy,  conhece um garoto desabrigado chamado Peter Pan, e os meninos perdidos, que moram  em um parque. Onde ela e seus irmãos o frequentarão para encontros sexuais, com Peter e o garotos em um verão, quando Wendy tinha dezesseis anos.


Dorothy, teve encontros sexuais com três fazendeiros e, mais tarde, com seu pai, quando contava apenas dezesseis anos. Quando um ciclone atingiu o Kansas,  ela ficou presa em sua casa.

Foi durante a tempestade que ela experimentou seu primeiro orgasmo.

Alice manteve relações sexuais, primeiramente com um homem, e depois com várias garotas e mulheres enquanto freqüentava uma escola só para meninas, aos quartoze anos.

Sua preferência por mulheres vem do fato de que, ela foi estuprada várias vezes, só conseguindo aguentar a dor porque se concentrava em um espelho que ficava na parede da sala.
 
A história é dividida em 3 volumes, e termina com a fuga do hotel, depois de uma orgia ao som das bombas da guerra se aproximando.
 
Se a história não interessou, dê uma olhada pela arte, as páginas são  feitas com uma qualidade impressionante e técnicas de pintura. São, na verdade, pinturas. Os traços são minimalistas e sutis, as cores são vivas e fazem parte do todo que compõe essa obra.
 
A história, segundo Alan Moore, pretende colocar a pornografia e o erotismo em local digno dentro da cultura contemporânea, e ao meu ver consegue. No Brasil saiu pela editora Devir.

Página Interna



Saiba mais sobre Alan Moore aqui.





domingo, 19 de setembro de 2010

e-booksgratis

emcapsulas acabou de realizar uma parceira com o ebooksgratis, blog destinado a dispor livros das mais diversas áreas para donwload. Lá você  poderá encontar algumas das obras citadas aqui, como, por exemplo, alguns dos quadrinhos eróticos resenhados.
O link para o  ebooksgratis se encontra aí do lado, inaugurando a parte de Farmacêuticos, basta clicar no banner. Divirtam-se.

Quadrinhos Eróticos - Parte 3


Capa

OMAHA -  A STRIPPER , é um quadrinho independente da década de 70, que acabou ganhando destaque na contracultura por representar um mundo de sexualidade e corrupção, bastante reais.

A grande sacada foi utilizar personagens animais, ora são gatos, ora cachorros, mas não se assustem, não tem nada de bizarro.

As características visuais das personagens são 99% humanas, o resto foi um recurso utilizado para fazer uma metáfora da sociedade, criticando as leis puritanas do E.U.A, que ganhavam força naquela época.

Omaha é diferente dos outros quadrinhos eróticos  por que apresenta uma história sexualmente erótica, narrada em tempo real, com a persongem principal sendo uma dançarina de stripper.

A Personagem faz parte de um mundo de sexualidade, vaidade, desejos e sexo explicito, aliado a isso se tem um roteiro sólido, no qual as histórias dão continuidades umas as outras, em uma estrutura de novela.

 O realismo da história é um fator a parte e extremamente importante, pela primeira vez em quadrinhos eróticos, as situações sexuais eram narradas com exatidão, com conceitos de tempo, o que dava a perceber que quem escrevia a história tinha realmente participado das experiências sexuais.

 A arte em preto e branco, o contexto histórico, e a proximidade da realidade fazem de Omaha um clássico dos quadrinhos eróticos. A revista era concebida por Reed Waller e  Kate Worley, uma parceira completa entre arte( Reed) e roteiro (kate). No Brasil saiu pela editora Conrad.

Aqui.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quadrinhos Eróticos - Parte 2

Garotas de Tóquio é o nome do trabalho de Frédéric Boilet, que é um desenhista de mangá, naturalizado japonês.

Nessa obra ele utiliza sutileza para transformar o erotismo em poesia, as histórias quase não possuem falas, mas são verdadeiros poemas visuais.

Elas são feitas por meio de fotos tratadas, desenhos ou até mesmo aguarelas. São 7 histórias curtas, todas com caráter poético, altamente sensuais.

Boilet mostra traços de uma sensibilidade latente, que faz com que o erotismo presente se transborde do visual/textual para a ideia de arte em si.

A graphic novel é uma obra de arte, que com o recurso meta linguístico agrada até os gostos mais conservadores.

Garotas de Tóquio poderia ser facilmente vendida como um livro de ilustrações artísticas, não fosse pelo fato de que só faz sentido dentro dos seus textos monossilábicos. No Brasil saiu pela editora Conrad.

Para saber mais, perca seu tempo aqui.

Página de "Garotas de Tóquio"

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quadrinhos Eróticos - Parte 1

















Milo Manara é o quadrinhista  responsável pela série Click, que é dividida em quatro edições.

 A história é sobre uma jovem, Claudia Christiani, que repudia homens e o sexo. Casada, ela não suporta os assédios do seu marido e dos amigos dele. O que Claudia não sabe é que existe um aparelho que pode mudar sua maneira de ser, trasnformando-a em ninfomaníaca.

Esse aparelho foi desenvolvido pelo Dr. Fez, amigo de seu marido que, de forma nada educada, o instala em Claudia. A arte de Milo Manara é extremamente sensual, sem ser vulgar. O roteiro das aventuras sexuais de Claudia, em alguns momentos, são um pouco fracos, tendo como ponto alto o volume 1 e 2.

No todo, Clic é uma ótima série de erotismo, que revitaliza e mostra todo o potencial de Milo, no seu
melhor trabalho.