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sábado, 8 de janeiro de 2011

Slinkachu, o Artista dos Caracóis

Projeto 'Little People"
Sua arte tem um tom de brincadeira, no entanto seus trabalhos nas ruas de Londres mostram uma forte preocupação em tornar a realidade um pouco menos agressiva.

Há também um aspecto crítico que não pode ser deixado de lado.

Utilizando referências do  mundo normal Slinkachu modifica  o mundo a sua volta, seu primeiro trabalho a ganhar destaque foi "Little People", no qual ele espalhou miniaturas milimétricas (menos de 5 milímetros) de pessoas pelas ruas de Londres, criando situações completamente inesperadas.

Sua arte passa despercebida pela maioria das pessoas, pois é difícil localizá-la e percebê-la, um exemplo disso é seu projeto “Inner City Snail".

O “Inner City Snail", teve início em 2008, e consiste em pegar caracóis das ruas da cidade e decorá-los para em seguida eles serem devolvidos as ruas.

Um trabalho bem humorado que crítica a velocidade do desenvolvimento frente a natureza.

Mais sobre Slinkachu, aqui.

Blog sobre os caramujos, aqui.




domingo, 26 de dezembro de 2010

O Verdadeiro Filme do Ano : A Ilha do Medo

Martin Scorsese filmou um clássico na década errada, baseado no livro homônimo de Dennis Lehane (o autor de “Sobre Meninos e Lobos”), “Ilha do Medo” é, sem dúvida, o melhor filme do ano.

Uma homenagem bem feita, madura e linda aos filmes de baixo orçamento de suspense policial, dos mestres do passado.

As referências são claras, desde as cores à fotografia, os efeitos sonoros (não trilha sonora, mas sim efeitos sonoros) e o roteiro, tudo misturado com maestria, na dosagem certa.

Tendo como roteiro uma história que envolve paranóia e suspense policial, Ilha do Medo funciona em todos os apectos. Mérito não só de Scorsese, mas também de um elenco que está em sintonia perfeita. DiCaprio trabalha com paixão em todas as cenas.

A crítica americana não gostou, diz que o filme é algo "menor" do diretor, talvez pelas óbvias referências e homenagens, que podem fazer o filme parecer apenas uma cópia, sem nada de original. Isso não é verdade, Scorsese faz uma crítica ao cinema atual, com  suas grandes verbas e filmes cada vez mais comercias.

Ele retoma ao passado e aos grandes diretores para criar algo de qualidade, cinema em si.

Como já disse, o terror psicológico de "Iha do Medo" funciona todo o tempo, ele cresce na medida em que o filme se desenrola, e o final é digno de um grande diretor. Qualquer outro teria errado a mão, em uma tentativa de fazer o espectador pensar sobre o filme.

A sua homengem foi mal interpretada, na verdade, Scorsese apenas mostra que ainda há no passado toda uma qualidade que não foi superada, e convida ou convoca a nova geração a realizar isso.

A obra incomoda os críticos comerciais, por que joga na cara que mesmo sem nada de novo, sendo uma releitura e utilizando recursos de cinema há muito esquecidos, é melhor que qualquer coisa produzida em 3D, com cenários mirabolantes, efeitos especiais e histórias não lineares de vanguarda.

O verdadeiro filme do ano é sim a "Ilha do Medo", no entanto o filme "A Origem" foi escolhido como melhor filme do ano por internautas no site de cinema IMDB, na minha opinião uma injustiça (veja o porquê, aqui).

O enredo:  "Em 1954, o policial Teddy Daniels (DiCaprio) investiga a fuga de uma paciente de um hospital psiquiátrico instalado em uma ilha, onde supostamente está internado também o assassino de sua mulher. Quando um furacão deixa a ilha isolada, Teddy é obrigado a permanecer ali, começa a desconfiar que os médicos realizam experiências ilegais com os internos e entra em choque com os responsáveis pela instituição."

Assistam e tirem suas conclusões.

Direção: Martin Scorsese;

Roteiro: Laeta Kalogridis;
Elenco: Mark Ruffalo (Chuck Aule), Michelle Williams, Leonardo DiCaprio (Teddy Daniels), Emily Mortimer, Max von Sydow, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Ben Kingsley;
Ano: 2010.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Triste Fim Do Pequeno Menino Ostra E Outras Histórias

Um dos personagens: " o menino de pregos nos olhos"
Tim Burton é famoso pelo seus filmes, tais como: Edward Mãos de Tesoura, A Fantástica Fábrica de Chocolate(remake), O Estranho Mundo de Jack, entre outros.

O que pouca gente sabe é que ele escreve livros infantis, que são, a sua maneira, muito bons.

Tim Burton cria personagens nada típicos, são verdadeiros excluídos, rejeitados sociais, que vivem histórias nas quais buscam o amor, a aceitação.

A história que dá nome ao livro, "O triste fim do pequeno menino ostra", é sobre um menino, que é rejeitado pelo pai e pela mãe, pai que até tenta matá-lo.

Não são histórias, nem personagens comuns, mas apesar da suas peculiaridades retratam um mundo real, onde crianças vivem com incertezas e rejeição.

Destaque para as ilustrações, que são de cunho do próprio Burton, e para as histórias em forma de poemas. No Brasil saiu pela editora Girafinha.
Poema e ilustração de " Luciano", presente no livro.



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Realidade que deu certo

Quarta-feira (08/09/2010) de manhã, esperando o ônibus observo a plataforma da frente, nada de mais. Algumas pessoas estão sentadas, são poucas, umas 5 estão em pé. De repente, um cara se levanta, ele corre, se contorce, baba, se transforma. Não é ameaçador, se percebe que não há risco de ameaça. Imediatamente uma mulher levanta, retira da bolsa uma coleira, consegue passar ela pelo pescoço do rapaz. Esse  tenta resistir por alguns segundos, mas desiste, ele foi domesticado. A moça puxa ele pela coleira e o faz sentar de novo, fala algo em seu ouvido. O rapaz, mais calmo, se vê liberto de novo. Ninguém nota, só eu. Só eu? Meu ônibus chega. Essa cena verídica me lembrou um texto que fiz há alguns anos, pra uma amiga, atriz, apresentar no teatro. É um monólogo, o coloco aqui em homenagem aquele cara domesticado, esperando o ônibus, que pra ele talvez nunca chegue, e para todos os psicológos que me cercam.
Segue o texto:

REFLEXOS

Loucura. A muito tempo ando com essa palavra na minha cabeça. Na verdade, tudo o que ela implica. Fico imaginando dentro de mim, tomando conta de cada pedaço meu, comandando minhas palavras e meus atos. E estou cada vez mais à vontade com esse pensamento.

Talvez por isso eu tenha tomado essa decisão, e por outros motivos os quais eu nem quero saber.

Mas enfim... decidi ser louca. Vou ser louca, e estou ansiosa por isso.Há na palavra “loucura” algo de sedutor, de mágico, algo que me atraí, me puxa e morde sem se preocupar com a dor.

Tantos privilégios... não teria de me preocupar com responsabilidades. Sou louca!, gritaria para o mundo, em uma explosão de êxtase, e quando minhas palavras alcançassem ouvidos atentos, minhas lágrimas escorreriam, e meu coração perderia seu peso, meu corpo seria uma pluma e todos meus movimentos seriam de um ballet clássico, que há muito fora esquecido. Algo simples por si só, que faria todos os amantes apaixonados ficarem estáticos, e com frio na espinha de tamanha beleza. Sem maiores explicações.

Os olhares alheios se direcionariam a mim com piedade e talvez com medo, mas no fundo de cada um, de cada chama que se desce a cortesia de me procurar, sentiria, no mínimo, certa reciprocidade. Um carinho escondido. Um frio na barriga gelado e ao mesmo tempo familiar, um doce prazer sútil emaranhado na própria vergonha de algo que nunca foi alcançado. Pessoas normais se escondem e escondem coisas as quais, talvez, nunca mais irão achar.

Eu não. Eu me libertaria de todos os meus esconderijos, e meu peito seria aberto como o botão de uma rosa que acabou de desabrochar. Ele morreria aberto, mas nunca voltaria a se fechar.

Falaria e agiria como eu achasse que fosse certo, me despiria e me arebateria em romances puramente monossíbálicos. Consumiria pessoas e paixões na mesma proporção que me deixaria ser consumida, minha carne sentiria o que minha alma nunca alcançou. Me vestiria como quisesse, pelo simples prazer de ser louca. Usaria calças de palhaço, pés-de-pato, colocaria um chapéu de bombeiro e correria para a vida. E estaria sempre linda, maravilhosa e perfeita! Chegaria no trabalho e pediria demissão, e em resposta ao porquê de tal ato, diria com um sorriso: sou louca!

Falaria alto e gritaria palavrões, na hora e lugar que surgissem em minha cabeça. E minhas palavras soariam como sinos em um domingo de manhã. Haveria apenas um problema: manicômio. Palavra forte, no entanto eu continuaria a ser uma pessoa íntegra. Louca sim, por opção!

Talvez até encontrasse alguns amigos, amigos...eu tive um amigo, mas ele se foi, assim, sem pausa pra um café...um amigo, eu tive um, mas ele foi embora, ou eu que deixei ele no bolso de alguma calça velha, enfim...Ele me fazia rir.

“Louca”, qualidade libertária, algo como um perdão intrínseco, que te deixa livre de todas as coisas. Um carta de alforria da vida. Qualidade que talvez só se assemelhe a de “poeta”. Loucura: a vida da forma pura, sem razão, sem reticências e pontos finais, meros pontos de exclamação, assim como meus beijos e abraços serão. Aprenderia a viver sem espelhos, afinal nunca gostei deles, espelhos. Não gosto deles e pronto!

Agora eu já estou louca, ela já se encontra em mim, toma meu cérebro. Desce por minhas veias até encontrar meus dedos. Uma sensação suave e prazerosa, vitalizante, uma libertação de mim mesma. um gozo sublime, pleno, quase religioso. Me arrepia e deixa meu coração limpo.

Coração... agora ele já é sem dor, sem aperto, sem marcas e sem contusões.

Sinto vontade de correr, me jogar no asfalto, gritar, me levantar, pedir um café e acender um cigarro. Algumas pessoas me procurariam, e eu, olhando para o chão, com o cigarro entre os dedos, diria (com minha voz suave e calma): não gostamos de conversar, não converse comigo... por uma semana.

Não me relacionaria mais, e mesmo se acontecesse, não faria diferença. Sou louca!

Eu seria uma dessas “pessoas platônicas”. Essas que entram na sua vida, e que, no entanto, você não sabe se entrou na delas. Como meu amigo, qual era o nome?...Apenas pode amá-las, sem esperar, ou ter algo em troca. Eu teria, tenho uma vantagem: minha sanidade! Ela ainda está dentro de mim e quando for preciso é só traze-la de volta.

Minha loucura é fingida, contudo perderia amores, pessoas. Qual o nome?.. Meu vazio só seria preenchido pela doce loucura solitária. Perderia em cada passo, em cada respiração, eu mesma. Minha realidade seria de devaneios guardados. A cada passo dado na direção errada eu deixaria de escutá-la. Pois a teria deixado em algum lugar. Meus sonhos e desejos se evaporariam de mim e ao mesmo tempo faria forças sobre humanas para lembrar o doce sabor de um chocolate em uma manhã fria de inverno, de um carinho despretensioso que aos pouco ganha seu lugar.

Haverá um tempo onde eu já não lembrarei, porque não escutava, não tocava mais. E meu coração antes cadenciado, não passará de um ruído desafinado e rouco. Não seria o que foi. Os lugares me moldariam, eu seria um mármore virgem sendo esculpido, e as lascas que de mim saiam seriam as mais valiosas...

Outras tentariam, mas nunca conseguiriam seu lugar. Não essa sintonia, esse tom. E quando percebesse, seria apenas uma lembrança, provavelmente a próxima a ser esquecida, uma fotografia fora de foco, algo belo, porém sem definição. E num momento alguém gritaria: fingida! Meu coração voltaria a ficar pesado, e com os olhos cheios de lágrimas, semiabertos, desejaria escuta-la novamente. E em então num sopro de razão descobriria que o problema das coisas que se acha, é que, o que se acha, não é o que realmente se é.

E só então perceberia que nunca havia parado de tocar, apenas não encontrava quem a escutasse. Suas notas precisas e seu refrão abafado. Lembraria de desejos esquecidos e do doce sabor de algo ainda desconhecido. Do meu amigo...

Acabaria entendendo de que nada me adianta a loucura insaciável de um amor improvável.

Pois bem, as peças estão nos seus lugares, a vida será o rei branco, eu a rainha preta...e meu amigo, bom como eu disse:

EU ODEIO ESPELHOS!

Autor : Camilo Alves do Nascimento
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